Tradução: J. Carlos Teixeira
Só
como um cargueiro sem carga.
Eu: uma vela sem vento.
Uma flor colho.
Uma flor colhe-me.
§§§
Ontem comecei
A matar-te meu coração
Agora amo o teu cadáver
Quando eu estiver morto
O meu pó gritará por ti.
§§§
Para onde?
O teu pai deve marchar.
O teu pai marchou.
O teu pai - ele deixa-se ser levado.
Eles levaram-no.
E hoje deves tu marchar.
O teu pai - ele marchou.
Sabes para onde te levam?
A ele levaram-no à morte.
§§§
O pai
I.
Um pai morto teria talvez
Sido melhor pai. Melhor ainda
É um pai morto à nascença.
Cresce sempre nova erva sobre a fronteira.
A erva tem de ser arrancada
Outra e outra vez que sobre a fronteira cresce.
II.
Eu queria que o meu pai tivesse sido um tubarão
Que tivesse rasgado quarenta pescadores de baleias
(E eu teria aprendido a nadar no seu sangue)
A minha mãe uma baleia-azul o meu nome Lautréamont
Morto em Paris
Em 1871- incógnito