Borras de Café

Do caixote do lixo o cheiro das borras do café

Entre as latas de conserva e os teus beijos,

Um saco cheio de verões bem passados,

Entre desejos e a melancolia do pós-coito

No adro da igreja em dia de arraial,

Críamos ser eternos, sabendo que sempre

Demasiado curto o verão, a juventude

Poucos verões, o resto, um durar até agora,

As cascas de laranja secas, as tuas mamas

Uma memória rosada sem leite,

Fossem as despedidas uma certeza absoluta

E permanente, apertar as alças do saco,

Deixá-lo cair no vazio do esquecimento,

Até que o camião do lixo venha,

À hora da vergonha, desenterrar os aromas

Que trazemos por dentro e nos fizeram.

 

Turku

 

16.07.2026