4.

Saint-John PerseAmers, Strophe 1-4

Tradução: João Moita

Daí vinhas, riso das águas, até às dependências do latifundiário.

Ao longe o aguaceiro atravessado de lírios e de foices luminosas abria para si a caridade das planícies; os porcos selvagens remexiam a terra com máscaras de ouro; os velhos assaltavam à bengalada os pomares; e por cima dos vales azuis povoados de latidos, o corno breve do vigieiro reunia-se ao anoitecer à vasta concha do peixeiro… Os homens tinham um verdelhão amarelo numa gaiola de vime verde.

Ah! que um mais amplo movimento das coisas na sua margem, de todas as coisas na sua margem e como vindo de outras mãos, nos alheasse por fim da antiga Maga: a Terra e as suas bolotas fulvas, a pesada trança de Circe e as sardas da tarde em marcha nos abrunhos domésticos!

Uma hora ávida ruborizava-se nas lavandas marítimas. Os astros despertavam na cor das hortelãs do deserto. E o Sol do pastor, no seu declínio, sob os apupos das abelhas, belo como um encolerizado nas ruínas dos templos, descia aos estaleiros em direcção aos tanques da querenagem.

Lá se avinhavam, entre os homens de trabalho e os ferreiros do mar, os estrangeiros vencedores de enigmas da estrada. Lá se excitava, antes do anoitecer, o odor a vulva das marés baixas. Os fogos de asílido enrubesciam nos seus cabazes de ferro. O cego descobria o caranguejo dos sepulcros. E a lua no covil das pitonisas negras

Embevecia-se com amargas flautas e com clamores de estanho: «Tormento dos homens, fogo da noite! Cem deuses mudos sobre suas mesas de pedra! Mas o mar para sempre atrás das vossas mesas de família, e todo o seu perfume de alga da mulher, menos insonso que o pão dos sacerdotes… Teu coração de homem, ó transeunte, acampará esta noite com as gentes do porto, como um caldeirão de chamas rubras sobre a proa estrangeira.»

Advertência ao Mestre de astros e de navegação.

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Circo

Quando era guarda-nocturno fui escalado para fazer vigilância num circo. Acautelar o material de luz, som e imagem que ficava montado para o espectáculo do dia seguinte. Cheguei e os técnicos partiram. Dei uma volta completa por trás das bancadas. Testei a lona em vários pontos. Era fácil alcançar o interior da tenda. Fi-lo mais por rotina do que por preocupação com os holofotes, câmaras, microfones e demais meios necessários para a transmissão televisiva. Estava muito frio, dias antes do Natal, trazia na mochila meia dúzia de cervejas de lata para melhor aguentar as horas nocturnas que tinha por diante. Baixei a intensidade dos reflectores. Coloquei uma cadeira no centro da arena e sentei-me ao contrário. Apoiei os braços nas costas da cadeira, voltado para as bancadas, e mantive-me naquela postura. Não estava de todo cómodo e por isso não corria o risco de adormecer. Bebia cerveja a sorvos breves. Ouviam-se os ruídos dos animais nas jaulas.

Passadas horas, não sei quantas, ouvi passos atrás de mim. Passos que cessaram ao fim de poucos segundos. Uma voz grave começou a escutar-se, uma voz chegada do fim ou do início dos tempos, o que cada um achar mais longínquo.

Tudo o que fazes é um balão. Que se enche e despeja sem parar. Não sou diferente e a minha visão baseia-se na relação que mantenho com o meu domador. Tolero-o. Não é demasiado disciplinador e eu não sou muito teimoso. Dedico-me ao que forçosamente estou destinado. Às vezes penso que bastava abrir a boca e mastigar-lhe um pouco a cabeça. Talvez o fizesse no meio de uma actuação. Mas não tenho vocação de protagonista. E não quero correr o risco de ser abatido. Cada espécie, por mais domesticada que esteja, ou civilizada que tenha sido, nunca perde os instintos que lhe cabem, os instintos com que nasce. Nunca corri atrás de gazelas. Mas a filogenia repete-se. E fora deste ambiente não descobriria muito mais do que encontrei até aqui. A filogenia repete-se. Este circo é um microcosmo. Sou mais um elemento da companhia e, devido à minha natureza, integro-me sem esforço. A minha visão é muito pragmática. Passo todo o tempo perto da civilização, de terra em terra, e durante a noite posso ler algum livro. Essa é uma das vantagens. O último, da autoria de Bernard Quiriny, intitula-se Contos Carnívoros. Escolhi-o porque gostei do título. O prefácio foi escrito por Enrique Vila-Matas que em vez de ter feito uma introdução cheia de elogios ao novel escritor se posiciona ao lado de Quiriny e escreve outro conto que versa sobre a tentativa gorada de descrever a História Geral do Vazio. Ou seja, um escritor como Vila-Matas situa-se no mesmo plano que um recém-chegado, ainda que de qualidades imediatamente reconhecíveis. Quanto ao tema desse prólogo, não é imprescindível escrever uma História Geral do Vazio, seria talvez um catálogo de banalidades. Escrevemo-la nós todos os dias e nunca nos aborrecemos. É aliás com um prazer desinteressado que o fazemos. Para mim é importante rodear-me de alguma humanidade. Cada um vive conforme a sua condição. Não me parece que exista uma pauta a seguir. Tanto melhor se as coisas correm bem. Três vezes por dia um tratador lança-me nacos de carne. Às vezes estou a dormir e só dou conta mais tarde, quando a carne já está carregada de moscas. Leio durante grande parte da noite. Não perguntes como arranjo os livros ou onde aprendi a ler. Pergunta-te que conclusões ficam das leituras que faço. A maioria das vezes é puro entretenimento, para descansar das crianças aos gritos ou do êxtase do público quando atravesso o arco em chamas. Outras vezes ensaio alguma rebeldia. Sei que estou preso. São momentos em que o meu rugido é mais selvagem. Mas tudo o que fazes é um balão. Que se enche e esvazia continuamente. Não me sinto privado de liberdade. Nasci no circo. Isto pode soar-te ridículo.

Não adormeças. Nessa posição podes cair e bater com a cabeça. Ficar amnésico. Esqueceres quem és. Parar de rever-te na vida actual ou deixar de ser guarda-nocturno. Não sei se para ti seria um desastre perderes a memória. Gosto de organizar pequenos inventários de ausências. No entanto, mesmo depois de notar essas faltas, não penso agir em conformidade com outra decisão que não seja continuar aqui. Não dou excessiva importância ao palco que piso. Fazer parte do espectáculo torna-me, afinal, invisível. Logo que saio do túnel e dou uma volta pela arena o público julga que assiste a alguma mostra de raça e surpreende-se com o meu porte, que encontra nobre, mas na realidade estou apenas a esticar as pernas; tolhidas por passar o dia recostado contra o tapume da jaula.

A voz calou-se e não olhei para trás. Esperei para ver o que acontecia. Não aconteceu nada e levantei-me com dores nas articulações. Na entrada, a lona, às riscas vermelhas e brancas, abria-se num triângulo. A manhã despontava e a luz provocou-me tonturas. Baixei os olhos e vi um monte de latas de cerveja por cima da serradura. Levava várias horas a beber. Enquanto olhava para as bancadas, que mais tarde seriam ocupadas por pessoas com expectativas de diversão, urinei para cima das latas, a serradura empapava o líquido, e nesse momento também não percebi qual a necessidade de traçar uma teoria geral do vazio.

 

An Education

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“If you are interested in the world you live in and the way men think and act; if you are interested in finding a purpose in your own working and learning, Black Mountain will attract you.” E depois: “If you are interested in an education which asks the best you have to give; if you are willing to give yourself to education all day every day; if you can put aside preconceived notions of the world and of yourself, you will like Black Mountain.” Lê-se na descrição que introduz os boletins do arquivo online da Universidade de North Carolina (EUA).

O Black Mountain College abriu em Setembro de 1933, num terreno de 700 hectares a 15 km de Asheville, North Carolina, com enormes blocos montanhosos em volta, um salão à beira-rio, casas de madeira aqui e ali, e uma quinta. O edifício principal – Robert E. Lee Hall – funcionava normalmente como centro de conferências, com dormitórios, salas de aula e escritórios, e no pórtico central, cadeiras de baloiço desalinhadas e oito colunas brancas a perder de vista. Naquele ano, excepcionalmente, o espaço fora arrendado por John Andrew Rice, ex-professor no Rollins College (Florida), que, juntamente com outros colegas, decidira abrir um colégio de artes. Era, lembre-se, o ano da nomeação de Hitler, da Grande Depressão nos Estados Unidos, do encerramento da Bauhaus por pressão do regime nazi e da perseguição a artistas e intelectuais europeus: Klee, Nabokov, Thomas Mann, Freud, Weiss, Grosz. Era o ano do Down and Out in Paris and London, de George Orwell, e do Elogio da Sombra, de Tanizaki.

 

Uma outra educação

“We want a student who sees art as neither a beauty shop nor imitation of nature, as more than embellishment and entertainment; but as a spiritual documentation of life; one who sees that real art is essential life and essential life is art.” Josef Albers dava o curso de artes visuais desde 1933, ano em que fora obrigado a deixar a Bauhaus. A vigilância apertava cada vez mais, e a América de então significava liberdade, o estrangeiro transformado em pátria, já que a verdadeira pátria se havia tornado, para todos eles, estrangeira. Com Anni Albers partira, então, para North Carolina, com um convite na algibeira para dar aulas no Black Mountain College, considerado na altura, e tendo em conta o contexto internacional, um autêntico “oásis espiritual”.

Antigos alunos contam que Albers, nas suas aulas, insistia vezes sem conta na importância de olhar para toda a obra humana de um modo amplo, não selectiva ou cronologicamente, para conseguir perceber de que formas as coisas se relacionam e interagem.

De resto, era essa a ideologia do colégio. Rice acreditava numa educação a la John Dewey, o filósofo americano que, na primeira metade do século XX, quis varrer das escolas e faculdades uns quantos dogmas e vender a ideia de uma “nova educação”, a “educação progressiva”, baseada em ideais como o da liberdade e descoberta individuais. Adaptado à realidade do colégio, o modelo traduzir-se-ia em qualquer coisa como: ensino prático e experimental das artes, tidas como prioritárias no currículo, sem testes, créditos e níveis. Quando o aluno se sentisse preparado, submetia-se a uma avaliação. Alunos e professores formavam uma "pequena comunidade cosmopolita", uma espécie de nova civilização convencida da urgência de dar aos seus membros os apetrechos necessários para a vida do admirável mundo novo.

Havia dois cursos que eram sugeridos aos alunos: “Plato I”, dado por Rice, e o de desenho, por Josef Albers. Depois, podiam escolher entre música, literatura, economia, matemática, línguas, história, teatro. Rice costumava dizer que o importante era aquilo que faziam com o que sabiam, pois saber, simplesmente, não era suficiente (“What you do with what you know is the important thing. To know is not enough”).

Depois das aulas (que decorriam em pequenas salas, com cinco, seis alunos por sessão), os alunos trabalhavam. Como as propinas eram pagas consoante o escalão de rendimentos, o colégio não tinha fundos por aí além, e assim as contas ficavam mais ou menos equilibradas. Além disso, era uma forma de eliminar as distinções e esbater as diferenças de classe. As tarefas variavam de dia para dia. Apanhar maçãs e fazer sidra, preparar as mesas para servir o chá, transportar carvão no camião do colégio, um velho Chevrolet, guardar lenha. Instalar sanitas e lavatórios, ajudar o carpinteiro, limpar os terrenos de pastagem, trabalhar no campo, na apanha do milho, na estrada, na floresta.

Dewey, em carta de 1940 a Theodore Dreier, professor e também membro fundador, referia-se ao Black Mountain College como “um exemplo vivo de democracia, e um modelo para a contracultura dos anos 60”.

 

Magical Summer

Em 1948, John Cage visitou o colégio para dar uma série de concertos de peças de Satie, acompanhados de breves palestras. Nas memórias escritas dos antigos alunos, é lembrada a “Defense of Satie”. Cage, na altura, terá dito que Beethoven esteve errado o tempo todo ao julgar que a estrutura musical se baseava na harmonia, e que graças a Webern e Satie esse erro pôde ser corrigido.

Concertos, performances (inclusive uma de Arthur Penn, a partir da peça de Satie, “La piège de Meduse”), palestras, saraus, e um número infindável de encontros com Buckminster Fuller, arquitecto americano, para explorar as múltiplas possibilidades de reinvenção da cúpula geodésica, projecto que o tornaria conhecido. Aconteceu de tudo naquele Verão. Mary Emma Harris, em The Arts at Black Mountain College (1987), afirma que aquele “Verão mágico” de 1948 marcou o fim do reinado dos artistas europeus no colégio e a emancipação dos jovens americanos, que estiveram ali em representação da arte que iria ser produzida nos Estados Unidos durante os próximos vinte e cinco anos.

Cage regressaria mais tarde, em 1952, ano em que compôs a peça 4’33’’, para estrear aquela que dizem ter sido a primeira performance de sempre, numa sala estreita, com janelas a todo o comprimento e uma lareira em pedra escura quase à altura do tecto. “Theatre Piece No. 1”. Cage, de fato preto, falava sobre a relação entre a música e o Budismo Zen, Olson lia, Robert Rauschenberg reproduzia canções da Édith Piaf num fonógrafo, David Tudor ensaiava num piano preparado e Merce Cunningham, dançava, enquanto ao lado, numa tela, era projectado um filme com bebés a chorar e o barulho de cães a ladrar.Tudo isto em simultâneo, e o público em volta.

 

Black Mountain Poets

Ao longo de 24 anos, o colégio funcionou como uma espécie de laboratório avant-garde, que acolheu artistas como: Willem and Elaine de Kooning, Cy Twombly, Jacob Lawrence, Richard Lippold, Kenneth Noland, Ben Shahn, Lyonel Feininger, Ernst Bacon, Béla Bartók, Helen Frankenthaler, Franz Kline, William Carlos Williams, e Charles Olson, um dos editores da Black Mountain Review, revista de poesia, ficção e crítica literária que em 1957 publicou Ginsberg, Kerouac, Philip Whalen, Gary Snyder e excertos do manuscrito de Naked Lunch, do Burroughs. Foi Olson, aliás, que com Robert Creeley, poeta e professor no colégio, e uns quantos americanos do pós-modernismo, formaram o grupo dos Black Mountain Poets, sob influência, diz-se, da Beat Generation.

Huxley também lá esteve, com Gerald Heard, em 1937, um ano depois de ter sido publicado o seu Eyeless in Gaza. Corre por aí que esteve para inscrever o filho lá. Depois foi a vez de Alfred Einstein, que veio com a irmã. Ah! E claro, Henry Miller, que haveria de escrever, anos depois: “From the steps of Black Mountain College in North Carolina one has a view of mountains and forests which makes one dream of Asia” (Black Spring, 1936).

Um verdadeiro rebuliço colégio adentro, que, no entanto, não conseguiu evitar que o número de alunos no colégio foi sendo cada vez menor. As instituições da altura, altamente conservadoras e dispostas a não abandonar os métodos de ensino tradicionais, não quiseram investir um único tostão. Em 1957, já sem dívidas mas incapaz de se aguentar mais tempo, o colégio acabou por fechar.

Nasci para ser crente

"Não voltes para casa", li a mensagem num balneário, rodeado de homens nus, cansados e felizes por terem abatido umas centenas de calorias a pontapear uma bola. Ainda gargalhei com as anedotas daqueles jagunços, com a entufada confissão de um quarentão que pela primeira vez na vida se encontrava a ler um livro, e logo um de dificuldade máxima,  Anita nos Açores. Ri até quando o Crispim apontou para o pénis do Margaça bradando: "Que portentoso dedal." Mas estava arrasado. Comemos bifanas e bebemos imperiais  e gozámos com as barrigas de uns e com as carecas de outros numa tasca dos subúrbios. Fartinhos, todos fartinhos das mulheres, largámos repetidas imprecações contra elas: tão acabadas e varicosas e feias e balofas e viciadas em telenovelas brasileiras e sexo uma vez por trimestre e seguindo a posição que menos indispunha o Senhor. Cada um deles ia-se desprendendo do balcão à medida que o telefone exprimia o ansioso descontentamento da patroa. "Combina-se para a semana que vem", dizia-se. Despachava-se a malta com frases de incentivo, tais como vê lá se para a semana movimentas melhor as tábuas ou pareces um cavalinho a saltar dentro de campo ou mais pareces uma puta do que um guarda-redes. Poderia ter seguido o método do Carlos, que gasta o ordenado com a mulher mas mantém o vigor com a Ana, com a Cristina, com a Rute, com a Raquel e com qualquer empregadeca que decida contratar para o seu café. Fui-me deixando levar pelas circunstâncias. Dar o braço a torcer uma, duas vezes, partir o braço de tanto torcer. A esposa esmifrou-me. Acumulei sémen até ao pescoço. Naquela noite pernoitei no bar, mofei a atirar ao ar cascas de tremoço e a empinar garrafas de cerveja e a meditar sobre a minha condição de homem casado sem sítio onde dormir. Olhei vezes sem conta para o telemóvel, tentando descortinar o significado de "não voltes para casa". Homem novo na costa? Mais um cão? Veneno da sogra contra mim? Não me atrevi a voltar para casa. Conhecendo-a de ginjeira, o mais certo seria levar com um martelo na testa se me atrevesse sequer a rodar a chave na fechadura. Nasci para ser crente. Já acreditei em Deus, no álcool, nas mulheres, nas crianças e nos animais. Acreditei até no poder do nada. Nesta fase em que me encontro, acredito em bares de alterne. Não me orgulho de ser quem sou. Quando o senhor prior me pousava a santa hóstia na língua, julgava que me salvaria, que teria um bom emprego, uma boa mulher. Agora acredito que não definharei se abocanhar ao mesmo tempo as duas mamocas da Shirley. 

 

Jo Shapcott, Da Mutabilidade

Tradução de Hugo Pinto Santos

Demasiadas das melhores células do meu corpo
estão irritadas, encrespadas, sensíveis
a este frio de Primavera. Estamos em dois mil e quatro,
e eu não conheço uma única pessoa que não se sinta pequena
por entre os números. Devastadoramente pequena.

Olha para baixo destes dias e vê
que os teus pés desconfiam do passeio e as tuas análises ao sangue
põem uma expressão carregada no rosto do médico.
Olha para cima e, pelo canto do olho,
encontras eclipses, folhas de ouro, cometas, anjos, candelabros,
junta-te a eles, se quiseres, aprende astrofísica, ou 
música folk, sacrifícios humanos, a mortalidade,
aprende a voar, a pescar, o sexo com pouquíssimo contacto.
Só não te dês ao trabalho de procurar um destino que não seja o céu.

Jo Shapcott, Of Mutability, Faber and Faber, 2010

 

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