No Silêncio...
/“todos iguais a todos. Quando”
- Bernardo Pinto de Almeida
“Isto é excesso de tempo livre!”
- Raul Milhafre
Caspar Friedrich - “View of Arkona with rising moon and nets”, 1803.
«Por intermédio das palavras que flutuam à nossa volta, alcançamos o pensamento»
Friedrich Nietzsche
“todos iguais a todos. Quando”
- Bernardo Pinto de Almeida
“Isto é excesso de tempo livre!”
- Raul Milhafre
Caspar Friedrich - “View of Arkona with rising moon and nets”, 1803.
Tradução de Michel Kabalan
Pouco antes de te levantares
Não me digas que não quiseste penas de pavão,
um vestido a arrastar pela pista da valsa.
E se o palpitar do coração te roubasse a coroa
quando o mais ousado te olhou nos olhos,
Não digas que foi ele o conquistador
Ele estava já ajoelhado.
Λίγο πριν σηκωθείς
Μην πεις πως δεν πόθησες τα φτερά του παγονιού,
ένα φόρεμα να σκουπίζει την πίστα με βαλς.
Κι αν την κορόνα σού έκλεψε τελικά το καρδιοχτύπι
όταν σε κοίταξε στα μάτια ο τολμηρότερος,
μην πεις πως ήτανε κατακτητής·
στα γόνατα είχε πέσει.
Eftychia Panayiotou (Chipre, 1980) é uma poeta e tradutora de poesia (Anne Sexton, Anne Carson, Lord Byron, William Blake, Percy Bysshe Shelley). Já publicou 3 livros de poesia: μέγας κηπουρός, 2007(O grande jardineiro), Μαύρη Μωραλίνα 2010 ( Moralina Negra),e Χορευτές 2014 (Dançerinos). Ela também trabalha com poesia visual (videopoetry) e poesia sonora (soundpoetry).
NOVO LIVRO | Col. Mutatis-mutandis, #13
O próximo livro da não edições chama-se PORQUE CANTA UM PEQUENO CORAÇÃO, com poemas de José Pedro Moreira e capa/desenhos de André Ruivo.
Este é o #13 volume na Colecção Mutatis-mutandis e estará em pré-venda exclusiva na Feira do Livro do Porto, a partir do próximo dia 6, com a Flâneur.
/// pedidos também via nao.edicoes@gmail.com ///
Aviso: Este livro contém, entre outras coisas, generosas doses de presunto curado sem o uso de nitratos acompanhadas com Horácio, aparições não autorizadas de Thom Yorke, um tratado metafísico e geológico advogando a causa terraplanista, o furto de uma piada dos Monty Python que o autor consegue sanear de qualquer humor, o esboço de um guia turístico para uma ilha desabitada, a morte de Augusto, uma versão de bolso dos mandamentos do mestre Miyagi, alguns conselhos amorosos, e a recomendação de alguns videojogos com que os leitores poderão ocupar a sua solidão quando os conselhos amorosos falharem. Efeitos secundários poderão incluir irritação da alma, o desejo de férias e o ocasional sorriso. Se os efeitos persistirem, por favor consulte o seu exorcista.
/////////////// do livro: http://bit.ly/34afNTa
«as fontes pulsam / como se tivesses levado / uma pancada na cabeça / e um zumbido anuncia / um novo estado / de hiper-realidade / regressas / a um mundo árido / óbvio / vês / três jogadas à frente / sordidez e vergonha / ainda assim persistes / em anotar os números / fazer os cálculos / convertendo / em livro-razão do teu vício / o caderninho de infância / onde anos antes / à margem dos detritos / da mais grandiosa / guerra intergaláctica / sonhaste que um dia / um pequeno coração / poderia cantar»
////////////// do autor:
José Pedro Moreira nasceu em Lisboa, 1983. Vive em Oxford. Publicou traduções do AGAMÉMNON de Ésquilo (Artefacto Edições, 2012) e de Catulo (juntamente com André Simões, Livros Cotovia, 2012). Um dos fundadores e editores da Enfermaria 6 (www.enfermaria6.com). Em 2018 publicou o seu primeiro livro de poesia, GATOS NO QUINTAL.
“há brilho em todas as coisas”
Richard Dehmel / Schoenberg
Arnold Schoenberg - “Blue Gaze”, 1910
Poema
Luz claridade salada de abacate de manhã
depois de todas as coisas terríveis que faço quão maravilhoso é
encontrar perdão e amor, nem sequer perdão
já que o que está feito está feito e perdão não é amor
e já que amor é amor nada pode dar errado
embora as coisas possam tornar-se irritantes aborrecidas e prescindíveis
(na imaginação) mas nunca de verdade para o amor
embora a um quarteirão de distância te sintas longínquo a simples presença
muda tudo como um químico entornado num papel
e todos os pensamentos desaparecem num estranho e calmo entusiasmo,
Eu não estou certo de nada para além disto, intensificado pela respiração
*
Poem
Light clarity avocado salad in the morning
after all the terrible things I do how amazing it is
to find forgiveness and love, not even forgiveness
since what is done is done and forgiveness isn’t love
and love is love nothing can ever go wrong
though things can get irritating boring and dispensable
(in the imagination) but not really for love
though a block away you feel distant the mere presence
changes everything like a chemical dropped on a paper
and all thoughts disappear in a strange quiet excitement
I am sure of nothing but this, intensified by breathing
Livros, filmes, ideias.
Fotografia de Egídio Santos