konstantinos

Konstantinos Kavafis c.jpg

para o Pedro Craveiro

 

 

isto não é uma apresentação formal
um encontro entre dois estranhos
num desses cafés que tu e eu
tanto amamos frequentar
onde pudéssemos calmamente
dar um aperto de mão
passar um pelo outro com uma daquelas
indiferenças que às vezes se sente
num espaço onde se pode ficar
sem que a ele cheguemos a pertencer  

mas entre estas duas fotografias de ti
podem ter passado qualquer coisa
como trinta anos
em ambas estás a usar um fato com colete
que me parece demasiado quente para o clima
e te fazem parecer um inglês
e entre uma e outra pouco na tua cara mudou
ganhaste um pouco de peso
a melancolia é mais ou menos a mesma
dá-te um ar disciplinado, contido
um pouco perdido e decadente
tudo isto te fica muito bem

essa ponta de tristeza
que em ti passou da timidez ao método
do método à resolução interna
misturada com um discreto ar de desafio
aquele que normalmente
é cultivado pelos snobs e pelos tímidos 

ocorre-me que o ar de desafio
não pode ter sido do agrado de todos
mas agradar aos outros
não era bem o que te trouxe
até aqui, embora uma distinção
importe: que mais do que isso
do breve agrado que com mais ou menos indiferença
se concede a alguns momentos medíocres
para que nos deixem em paz
não é mentira que o oposto disso
é o prazer com que continuaste
a regressar a certos lugares
a algumas pessoas
a alguns breves momentos de espera
onde cultivaste o desconforto
de permanecer só, completamente visível
e em violação de algumas leis
em espaços estranhos 

penso que não foi neste quarto
onde te fotografaste
tão atravancado de tanto lixo
as coisas que tu colecionaste
as que não podias deitar fora
que recordaste os dias
de 1908, de 1910, de 1911
e que te aplicaste a descrever
a profundidade desses nós dados no escuro
nesses teus poemas breves
maniacamente lidos e relidos
em que tentavas não perder de vista
os quartos e salas e os balcões de cafés
onde te sentaste, onde olhaste à tua volta
quando tentavas descrever
a que sabe a espera naquele ponto
onde não há nada entre o extremo
da alegria e do desespero
quando mais facilmente se entende
o quão facilmente alguém
mais do que ser salvo ou ser aniquilado
pode num estalar de dedos
encontrar-se, perder-se 
ainda que tu estivesses só a tentar
ficar perto
não largar o que prendeu a tua atenção
até que isso te deixasse cair
uma vez, e outra, e de novo 

e de tudo o que podemos apenas especular
eu do outro lado da sala vejo agora
esse momento que entreteve a tua espera
o cigarro preso entre dois dedos
o rosto levantado, os lábios fechados, o olhar fixo
em redor daquele que finalmente chega
entra calmamente sem que te agite
a ideia de ser este o último reencontro
ou a inutilidade de todos os momentos antes
a solidão horrível que virá depois
e durante dias e dias te deixará a certeza
de que uma parte de nós pode ser arrancada
e de que essa falta pode caminhar ao nosso lado durante anos 

tu dirias são estas as regras e os rituais dos escolhidos
isto que é apenas uma leve presença tão ténue
que sendo quase invisível exige apenas
uma atenção sem medo para que
quando te virares por um momento
esse que desapareceu e regressou no espaço mínimo
de olhos que se abrem e se fecham
te possa olhar agora a direito por um momento
que é o que dura o reconhecimento 

ele virou-se konstantinos, e juro-te
que como nos teus poemas às vezes
toda a sala desapareceu
que não se conseguia ouvir nada
para lá de um zumbido nos ouvidos
que a revelação é mínima
e é muito pouca a nossa escolha
perante o que é mais importante
apenas sim ou não sem meio termo 

imagino que para ti tenha sido ao fim da tarde
no outono talvez dessa primeira fotografia
quando no último calor
as romãs amadureceram lentamente
despontavam nos campos e entre as campas
a tua vida apanhada na curva do ocaso
no decrescer da luz, na mínima celebração
de salas escuras, em corpos estranhos e familiares
no barulho de chávenas e colheres em salas
cheias de fumo e vozes sempre ao começo
da noite quando a energia que é necessária
de nós é explosiva, dura muito pouco
e vem com uma força que é a única coisa
entre nós e a sordidez de não sentir nada
de vir viver nas quietas casas
tumulares do inverno ou de não encarar
o corpo daquele que se despiu
para nadar no mar de manhã a beleza para lá
da vergonha, da pobreza ou dessa cobardia
que tentamos praticar todos os dias
a de querer minimizar o risco
para viver sem dor e sem perda
e até isso de olhar sempre os outros de modo esquivo
de recusar o reconhecimento
que os outros merecem de nós 

fora da imagem não se vê bem
mas suspeito que estás a segurar o relógio
suspeito que um poeta gay de alexandria
pode ser o último deus
de uma antiguidade muito tardia
da absoluta urgência do tempo
suspeito que esse verso que escreveste
sobre um corpo que se esquece dele próprio
(continua a lembrar-te
continua a lembrar-te e continua
a voltar, por favor)
quase não é um verso
quase não contém poesia nenhuma  
senão o saber que quase
nada é tão vital quanto isso
que apenas quase não é um verso

Oxford,

5 e 8 de Novembro de 2018

Isabel responde a Artur

Artur,

 

 

   Artur, Artur, como estava enganada. Nesse quarto escuro tu não me tiraste a virgindade, tu emprestaste-ma. Lembras-te talvez das paredes cheias de mofo, daquela cadeira empoeirada e coçada, desfeita, da tua cama que rangia sem consequência?

   Pois eu lembro-me de ti. Lembro-me de estares gordo, não de seres. Lembro-me dos teus olhos castanhos. Sempre disseste que eram banais. Não percebes nada de mulheres.

   Nunca te perguntei se era feliz? Pergunto-te agora: sou feliz?

   Os meus filhos estão quase a chegar a casa, cheios de merda na cabeça, espetaram-lhes os mallsno fígado e agora cospem prendas baratas, têm vírgulas nos crânios e enfrascam-se contra as paredes, mesmo sem carro. Boston é nojenta. Não tenhas dúvidas. É nojenta. Detesto americanos, e agora sou um deles. Que horror.

   E o meu marido é mais flácido do que tu. E fode bastante menos que tu, ainda bem. Tu ao menos davas-te ao trabalho de fingir que estavas comigo. Ele, nem por isso.

   Sou feliz? Nunca te perguntei se era feliz?... E é agora que o dizes!... Agora!... Agora?... Não tenho medo, ou melhor, duvido que tenha medo de te escrever, como sempre te escrevi. É que nessa tarde já me tinhas perdido. Naquele café, que tu tão bem descreveste. Perdi-te até no empregado. Não me lembro do cão, estava demasiado preocupada com o resto da tarde. Só tu para olhares para a merda do cão. Ah, mas demorei anos a perceber; não era, não era, não era nem virgem antes de te conhecer, nem qualquer outra coisa. E, no entanto, deste-me algum tipo de pureza – não aquela pureza parva dos homens que tentam o mundo sem o penduricalho que lhes entristece as pernas – não, deste-me o peso do teu corpo. Aí percebi que gostava de homens. E que tu nem de mulheres nem de homens. Mas isso, Artur, não faz de ti o infeliz que pensas que és. Também tu tens algo de estupidamente feliz em ti: não és perfeitamente infeliz.

   Sou feliz?

   Idiota.

   Sempre fui feliz ao teu lado. Não percebes nada de mulheres. Nada. Deve ser por isso que és tão gordo. Mas nem que fosses perfeitamente gordo serias totalmente infeliz. E se calhar nem te lembras, que digo eu?, claro que não te lembras, de como o fizeste. Como de facto foi. Lembras-te da cama, do quarto, do mofo, do cheiro, do raio do cão, do empregado de café, de tudo, menos do que aconteceu. O que aconteceu? Despimo-nos um ao outro. Beijámo-nos. Eu sei que tu fingias beijar, querias saber se eu queria ou não fazer aquilo. Eu não. Eu beijava-te. Não pusemos música. Deitamo-nos. Abri as pernas. Puseste-te em cima de mim. Beijavas-me, sempre a fingir, e perguntaste-me milhares de vezes se eu tinha a certeza. Que porra. Claro que sim. Não percebes nada de mulheres. Senti o teu corpo e mais do que a ti, uma dor intensa. Desapareceste e deste lugar àquela dor, mas continuaste lá com ar culpado. Foi aí que percebi que não era virgem. Que nunca fui virgem desde que me conheço.

   Se sou feliz?

   Ainda agora quase me matei a beber. Uísque, cerveja, que o vinho aqui fica muito caro. Os meus filhos nem percebem que estou bêbeda. O John muito menos. Tinha que se chamar John, pois está claro. John. Banal, banal, banal.

   Se sou feliz?

   Não me ofendas, gorducho, fofinho. Não percebes nada de mulheres.

 

 

   Isabel

 

P.S.

 

vai-te tratar

 

   

UMA PAIXÃO COMO NENHUMA OUTRA, de Lynette Yiadom-Boakye

       “What good is love
Mmmm that no one shares”

           Dinah Washington

 

 

Se a minha vida se resumir
a uma pequena pétala que cai,
entre a mão de um deus e o negro
chão, eu terei conhecido o
maior dos amores possíveis.
 
Não, dirás. Nunca a queda,
nunca a perda. Sempre, e
apenas, a colheita.
A colheita, do cheiro e da
Luz, levada à pele seca
da minha vida.
 
Sim, dirás. É uma pintura
Bonita, deveras bonita.
Um rosto como nenhum
outro, recolhido no silêncio:
Fixo, frio, imbuído no maior
dos sofrimentos – a solidão.
 
Murcho, o rufo anuncia  que
metade de mim já morreu.

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Lynette Yiadom-Boakye - “A passion like no other”, 2012 (pormenor).

A Construção da Morte (nota de leitura)

Edição de 23 exemplares

Edição de 23 exemplares

Neste novo trabalho, Eduardo Quina vai aperfeiçoando o seu talento de poeta, a cada novo livro projecta melhor a sua voz. Desta vez, retomando temas anteriores (que são tanto vibrações como territórios discursivos) – a meta-poesia, a morte, a vida, a criação, o pecado, o desespero, a loucura, o eterno retorno, deus, a identidade –, emula-se com Herberto Helder, todos os poemas lhe são fiéis, e Os Passos Em Volta (renovando uma possível geografia de experiências). O olhar teo-antropológico habitual do poeta descobre vetustos demiurgos irados com a criação, como se se tivesse simplificado abusivamente os sentidos das palavras.

Escreverei encostado ao autor, expondo desajeitadamente algumas das ressonâncias provocadas pelas setas que me atirou.

A exigência poética obriga a criar no meio da loucura e do sem-sentido, esse é o material de construção. O “estilo”, arte de ordenar, procura conjurar as constantes e irredutíveis metamorfoses, em vão. Não há linhas de composição definitivamente validadas, os astúcias que se usam conduzem sempre a uma ratoeira. De qualquer forma, escreve-se, o poeta escreve, resolvendo enigmas com novos enigmas. Corre atrás da realidade, constantemente fabricada, porque deus não permite que se faça a paz com o fortuito.

Fortuito fora, desvanecimento dentro. O poeta é um não-ser. Órgãos feitos de pó que retornarão ao pó (o orgânico é um breve interregno). A estridência, que por vezes experimenta, só pode ser inconsequente (ainda bem). Tudo está amarrado a uma velha economia do desespero, não é possível sair deste círculo nevrálgico, porém menos ansiolítico do que a esperança (velha fake news). Então, fugindo às cegas para a frente, erigem-se lugares, e lugares, e lugares, e... sempre inóspitos, lugares para morrer. E se vamos resistindo, fragmentados em desconexas variações do eu, sabemos que basta o pecado fisiológico atingir uma pequeníssima parcela do ser para contaminar tudo.

Todavia, parece haver ainda uma consciência pronta a descrever um real que é “uma filosofia das paisagens / que dura sete dias e sete noites”. Claro que “é tudo mentira”, e mesmo quando se acede à sabedoria, ninguém sabe muito bem como, ela é “vil, esmagadora”. É por isso imperativo, diz-nos Eduardo Quina, trabalhar na própria morte, dar-lhe “o sentido do recomeço”. Talvez ela seja “essa força criadora e transformadora”. Talvez, “porque continuamos enclausurados / na mesma ausência”.

 

Poema de abertura:

ESTILO
o poeta não morre da morte da poesia

o texto em movimento
em acto contínuo:
poemacto:
a descodificação do género:

o estilo

a re-criação da forma ao
ritmo de uma unidade de significação

enlouquecemos naturalmente

é esse o ofício do refinamento
da escrita
do medo
esvaziando a loucura, criando a dignidade.
até à sua perda
absoluta

e a solidão ao centro

LECTURA EN ESPIRAL DE “CARACOL” (RUBÉN DARÍO, 1905)

Caracol é uma casa que se anda e a lesma é um ser que se reside. 

Manoel de Barros

1. DESINTRODUCCIÓN
 

A pesar de que “Caracol” [1], incluido en la sección “Otros poemas” de Cantos de vida y esperanza (1901), es un poema notable, la abundante crítica sobre Rubén Darío no ha mostrado mayor interés por él. Salvo algunos comentarios fundamentales, como los de Gustav Siebenmann [2] o Antonio Pagés Arraya [3], la lectura escolar de “Caracol” — basada esencialmente en la aplicación rigorosa de las reglas de la métrica, tan cara a Darío — eclipsa las peculiaridades del texto.

Las circunstancias que circundan al poema no son, en primer lugar, extrañas para el/la lector(a) experimentado(a), porque el contexto marino es el contexto de un número considerable de poemas a lo largo de la obra de Darío. Son de esto ejemplo “Marina” (Prosas profanas y otros poemas, 1896), a partir del cual evidencio la figura de Orpheu [4], y el homónimo “Marina” (CVE, 1905) [5], que comparte con “Caracol” la referencia a la figura de Europa y, según Arraya, la referencia al mar a través del recurso de la mitología griega [6]:

velas purpúreas de bajeles
que saludaron el mugir del toro
celeste, con Europa sobre el lomo
que salpicaba la revuelta espuma. [7]

“Yo soy aquel”, "Lo fatal", "Helios", "Nocturno", "Amo, amas" (CVE, 1905) también comparten con “Caracol” aspectos obvios, como el uso del polisíndeton, acentuado, por el ejemplo, de cuatro y en sólo dos versos (12 y 13); un ejemplo perfecto del crescendo adaptado al poema. “XV” (CVE, 1905) y “Caracol” dialogan, por lo demás, axiomáticamente: “y el ritmo que en nuestro pecho/ nuestro corazón mueve,/ es un ritmo de onda de mar” [8].

El ritmo, la voz órfica, o la canción universal escuchada por los vates, sugiere la idea de la poesía como lo que es susurrado a los oídos del/de la creador(a) por las Musas. Sustentados por la conocida retórica platónica, Siebenmann y Arraya resumen lo obvio: la melodía divina y unificadora, y más unificadora que divina, es la base de la creación literaria. Y al resumir lo obvio, se enfocan, a nivel de la forma y del contenido, en el aspecto sonoro del texto que, además de estratégico y consistente, evidencia, según ellos, la cualidad de “Caracol” entre los sonetos de Darío.

La importancia de la dimensión sonora de “Caracol” es, de hecho, central para el entendimiento del texto en dos niveles, pues el catálogo de vocablos, que refuerzan los declarados, internos y previsibles juegos rítmicos (“oro”, “toro”; “finas”, “divinas”) — primer nivel —, pertenecen al mismo universo lexical (“caracol sonoro”; “eco”; “oídos”) — segundo nivel. La acumulación de vocablos, cuyo significado está estrictamente ligado al sonido, no sólo amplifica el nivel sonoro externo de la composición, sino que permite la asociación gradual y figurativa entre su dimensión sonora y su menos evidente dimensión visual. La asociación léxico-sonora entre, por ejemplo, “caracol sonoro”, “eco” y “oídos” y la extensión de esta asociación a expresiones lexicalmente distantes (“ondas”; “dianas marinas”; “nave Argos”, “Jasón” o “corazón”), pero visualmente cercanas, es progresivamente espiral.

La sugestión visual de “caracol”, “ondas”, “oídos” y “vientos” — verbal, imaginaria o real — se encaracola mientras el poema avanza. El avance encaracolado del poema garantiza la interpretación de expresiones más rebuscadas, como “dianas marinas”, “nave Argos” o “Jasón”, pues la forma de las anteriores guía la lectura de las siguientes. Y voy por orden: la insinuación metonímica de la forma del arco de Diana y sus extremidades espirales, así como por lo menos una de las extremidades de la nave Argos, cuyo molde encaracolado se asemeja a los cuernos del carnero y, más tarde, a los cuernos del vellocino de oro (chrysómallon déras) buscado por Jasón y los argonautas culminan en la imagen vívida de las venas encaracoladas del corazón.   

2. APLICACIÓN PRÁTICA DE LAS CONSIDERACIONES PRESENTADAS EN LA DESINTRODUCCIÓN [9]

En la playa he encontrado un caracol de oro
macizo y recamado de las perlas más finas;
Europa le ha tocado con sus manos divinas
cuando cruzó las ondas sobre el celeste toro.

He llevado a mis labios el caracol sonoro
y he suscitado el eco de las dianas marinas,
le acerqué a mis oídos y las azules minas
me han contado en voz baja su secreto tesoro.

Así la sal me llega de los vientos amargos
que en sus hinchadas velas sintió la nave Argos
cuando amaron los astros el sueño de Jasón;

y oigo un rumor de olas y un incógnito acento
y un profundo oleaje y un misterioso viento ...
(El caracol la forma tiene de un corazón.)

Patrícia Lino, 2018.

Patrícia Lino, 2018.

Patrícia Lino, 2018.

Patrícia Lino, 2018.

Patrícia Lino, 2018.

Patrícia Lino, 2018.

[1] Rubén Darío, Cantos de vida y esperanza (CVE), ed.: Marcelo Perazolo, s/l, LibrosenRed, 2008.

[2]  "Reinterpretación del modernismo", Spanish Thought and Letters in the Twentieth Century. An International Symposium Held at Vanderbilt University to Comemmorate the Centenary of the Birth of Miguel de Unamuno (1864-1964), Nashville, Tennessee, Vanderbilt University Press, 1966, pp. 503-505.

[3] “Revelación y mito en un soneto de Darío”, Revista Iberoamericana, v. XXXV, n. 69, Septiembre-Diciembre, 1969, pp. 441-458. Accesible aquí: http://revista-iberoamericana.pitt.edu/ojs/index.php/Iberoamericana/article/viewFile/2369/2562.

[4] La figura de Orpheu no está directamente mencionada en “Caracol”, pero la de Jasón, sí; y, como sabemos, Orpheu lo ha acompañado durante el viaje de los argonautas en busca del Vellocino de Oro. 

[5] “Marina” y “Caracol” constituyeron, además, un conjunto titulado “Junto al mar”, publicado en Caras y caretas de Buenos Aires (18 de abril de 1903).

[6] Cito: “el mar aparece simbolizado en ese caracol singularísimo ofrecido maravillosamente al poeta y que inmediatamente remonta su imaginación al mito: Europa, la hija de Agenor, rey de Tiro, va sobre las espaldas de Zeus, mientras éste, en forma de toro, nada hacia Creta”, Op. cit., 1969, p. 444.

[7] CVE, p. 72.

[8] CVE, p. 66.

[9] Todos los dibujos son creaciones originales de Patrícia Lino.