Vira o Disco e Arde o Mesmo

Não é dia de arraial, nem Agosto sequer,

Vira o disco e toca o mesmo, mais alto,

Mais perto do limite, dizem que é tudo treta,

Esta aproximação galopante ao apocalipse

Pela mão gananciosa do homem,

No fim comerão, nem papel sequer,

Mas números, lerão as nuvens onde

Livros guilhotinados vivem,

Entretanto tudo arde, as memórias da infância,

Onde iremos às pinhas, o inverno também

Surpreende sempre, com modernos dilúvios bíblicos,

Entretanto tudo arde, a inocência, a esperança,

O futuro veste-se de cinza e inteligência artificial,

A nossa tem falhado em tudo,

Esqueceu-se do valor da liberdade,

Ajoelhamo-nos à cegueira da violência,

Bruta, sempre, a violência, a nossa e

A das chamas que empurram os mais pobres,

Sempre os mais pobres, mas um dia também

Chegarão aos castelos dos que consomem

O mundo e o sangue da humanidade,

Vira o disco e toca a mesma marcha fúnebre,

E lá vamos todos juntos em procissão,

Em direção à nossa inevitável imolação.

 

30.07.2026