João Coles

 

Agosto [ano .?], Portugal.

Descendente de uma família de piratas, foi percursor desta longa tradição de saques, beberronias e cantorias de alto mar, das quais reclama autoria de um certo número, como "Doméstica de Amesterdão", "As botas do Barba Ruiva", "As madamas espanholas", entre outras. Ancorou em vários portos de diferentes nações e escreveu histórias sobre as suas aventuras pelos lugares onde atracou com a sua tripulação; escreveu ainda alguns contos e poemas sobre a sua vida de bucaneiro, sobre amores, paixões e desventuras, tudo sob a sombra de outro nome.

Aos 24 anos desembarcou em Itália, na província de Grosseto, na Toscana, deixou as botas, o chapéu, o papagaio e o rum e dali viajou em direcção a Florença, onde, com habilidade, se fez passar por cortesão e se instalou no Palazzo Vecchio. Ali permaneceu durante algum tempo, agindo com discrição, decoro e graciosidade, como diria Castiglione, tornando-se num gentil-homem de referência. Manteve a actividade literária, regressando tempo depois a Portugal, a Lisboa, onde agora vive e escreve discretamente. Não mais voltou à vida de outrora, apesar de ainda conservar o seu tapa-olho como reminiscência daquele passado.

 

[textos de João Coles na Enfermaria 6]